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A criatividade do povo brasileiro não encontra limites na imaginação, na geografia, nem na escassez de recursos. Os artesãos conseguem transformar elementos encontrados na natureza em objetos artísticos impressionantes. Assim, o barro vira cerâmica, folhas de árvore se transformam em bolsas, pedras se moldam em esculturas, areias coloridas tornam-se belas paisagens em garrafas e copos.
Nossa riqueza cultural está espalhada por diversas áreas artísticas como na literatura, na música, na dança, e em grande escala na produção artesanal. O artesanato é uma das formas mais significativas de demonstrar nossa transculturação de técnicas de produção que inicialmente foram trazidas apenas das culturas dos índios, negros e portugueses e que mais tarde se expandiram.
A partir do século XIX, com a forte imigração européia, novos aportes de técnicas artesanais chegaram ao país junto com os imigrantes de origem italiana, alemã, polonesa, japonesa, síria e libanesa, transformando e ampliando a gama de produtos feitos artesanalmente nas diversas regiões brasileiras.
Atualmente, em todas as partes do país, é possível encontrar produção artesanal diversificada, feita com matérias-primas regionais e com técnicas específicas que variam de acordo com a cultura e o modo de vida do povo de cada localidade. Esses contrastes, além de tornarem o nosso artesanato ainda mais rico, criam uma marca de identidade nacional. Essas referências regionais são muito valorizadas por um mercado externo globalizado, e cada vez mais aberto a produtos diferenciados que retratem a origem e a história do povo que os produz.
É por esse motivo que nossos produtos ganharam espaço em lojas sofisticadas de design na Itália, França, Portugal e em lojas americanas de prestígio como a Bloomingdale’s e a Saks. Só para se ter uma idéia da grandiosidade desse mercado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o artesanato movimenta anualmente cerca de 28 bilhões de reais, ou 2,8% do PIB do país, índices impressionantes que se equivalem aos da indústria automobilística.
Hoje existem cerca de 8,5 milhões de pessoas trabalhando na produção do artesanato no Brasil, sendo que, 87% é representado por mulheres, que muitas vezes aprenderam o ofício com as mães, já que os ensinamentos, tradicionalmente, são passados de geração para geração. Todo esse processo atual, não só aumenta a produção e a condição de vida das famílias, como também contribui para um desenvolvimento sustentável de regiões com potencial produtivo e que muitas vezes se encontravam marginalizadas e sem perspectiva alguma.
Mas não é só lá fora que o artesanato brasileiro faz sucesso, não há quem não aproveite uma viagem turística para fazer compras e levar uma lembrança para casa. As variedades e especificidades de produtos são imensas. Em Tocantins são produzidos os chapéus e cestos cor de ouro, feitos com palha (capim-dourado). Em Santa Catarina temos as famosas peças em cristal para decoração. É de Pernambuco que vem as famosas carrancas decorativas. Tudo isso sem contar as toalhas de mesa de renda e as redes que são feitas no Ceará.
O artesanato entrou na lista de compras das elites e está sendo usado para decoração e em mostras de decoração famosas como a Casa Cor, além de ambientes de várias pousadas e hotéis para mostrarem um pouco da cultura brasileira para os turistas daqui e os que vêm de fora.
Não existe oportunidade melhor do que estar no Brasil e poder viajar para conhecer, de perto, esses produtos artesanais e seus meios de produção. É por esse motivo que o BrasilViagem.com traz este roteiro sobre o que é produzido em diferentes estados nacionais. E se a vontade de comprar fez você querer também fazer uma viagem, aproveite e faça já sua reserva, on line, de uma hospedagem. Se preferir, consulte alguns de nossos pacotes que já incluem tudo para fazer da sua viagem um sucesso de compras, repleto de cestarias, traçados, cerâmicas, marcenarias, esculturas e bordados, tudo produzido artesanalmente aqui no Brasil.

PARÁ – INFLUÊNCIA INDÍGENA
O artesanato produzido no estado do Pará é considerado rico e diversificado, principalmente pelo fato de ter suas raízes e influências em culturas de grupos indígenas que habitavam a região antes mesmo de sua colonização. A cerâmica, por exemplo, é uma das produções mais presentes no estado. Existem duas vertentes de inspiração para os artesãos que a produzem. A marajoara e a tapajônica, todas as duas com nomes que remetem às tribos passadas que criaram as técnicas e estilos de desenvolver esse tipo de cerâmica.
A cerâmica marajoara é facilmente encontrada em Belém ou no distrito de Icoaraci, a 16 quilômetros da capital. As peças produzidas seguem o estilo das civilizações que habitavam a ilha do Marajó no século passado, e se caracterizam por ter um alto desenvolvimento estilístico e técnico com exuberância e variedade decorativa.
As cerâmicas são geralmente ornamentadas com utilização de figuras pintadas em preto e vermelho. As mais procuradas e compradas pelos visitantes são as urnas, vasos e estatuetas, também consideradas o ponto alto da arte ceramista marajoara. Muitos compradores buscam reproduções de peças famosas, encontradas somente no Museum of Natural History nos Estados Unidos e no Museu Emílio Goeldi do Pará.
Já a cerâmica tapajônica, vem da cultura de índios que habitaram as margens e a foz do Rio Tapajós, na região que hoje é ocupada pelo município de Santarém, no oeste do Pará. Com características marcantes, a cerâmica produzida nesse estilo tem modelagem rebuscada lembrando até antigas peças de estilo barroco.
A produção desse estilo inclui vasos, cachimbos e muiraquitã, pequeno amuleto verde, que a tradição diz dar sorte para os homens que o usam. A cerâmica tapajônica é baseada também em achados arqueológicos, e sua principal característica é a delicadeza das peças. Elas dão a impressão de que os índios as produziam com finalidade estética, e não utilitária.
Além da cerâmica, os paraenses também utilizam as fibras de palmeiras como a jupati e tururi para criarem seus produtos. As fibras da jupati permitem uma utilização variada, as talas mais grossas se transformam em itens de cestaria e o âmago das talas, serve para produção de chapéus e coberturas. O Tururi, com fibras entrelaçadas e de cor castanha é usado para a criação de chapéus, bolsas, sacolas e até peças de vestuário.
Quem gosta de enfeites e miniaturas, deve procurar os adornos feitos a partir do látex de uma árvore chamada Balata. A goma extraída dessa espécie permite que os artesãos criem enfeites de vários tamanhos e modelos, e os preços são um atrativo à parte.
Outro forte do artesanato paraense é o uso de raízes, principalmente a raiz do patchuli, que tem um perfume forte e agradável. Com o patchuli, a criatividade dos artesãos é ilimitada, podendo ser encontrados leques, ventarolas, sachês e bonecas cheirosas que fazem sucesso com a criançada. Além do patchuli são utilizadas outras raízes e cascas de árvore como priprioca, macacaporanga, casca preciosa, macuracarã, cipó catinga, japana, mangerona, catinga de mulata, trevo, paraqueira e cumaru, que se transformam nos produtos com variações infindáveis.
Para encontrar todas estas opções de artesanato reunidas em um único lugar, vá até Belém e dê um passeio pelas lojas da Avenida Presidente Vargas. As ofertas e opções são muito grandes, por isso, separe uma tarde inteira para fazer suas compras e levar um pouco da cultura paraense para sua casa.

CEARÁ – MULHERES RENDEIRAS
O artesanato do Ceará é um dos mais diversificados do país, mas a primeira imagem que vem à cabeça quando se pensa em produção manual por lá, é a das mulheres rendeiras com seus artefatos. Todas as técnicas de produção em fibras de algodão são herança da colonização portuguesa, e foram fortemente introduzidas na cultura do cearense estando conservada até os dias atuais.
Foi por volta de 1750 que a Europa começou a receber as primeiras rendas produzidas pelas mãos das rendeiras do Ceará. Naquela época, a fama da beleza e qualidade correu o todo o mundo, e hoje é exportada para muitos países. São mais de dois séculos de tradição dessas rendeiras que de forma natural produzem esses artigos de rara beleza.
O equipamento utilizado para a criação das rendas é cheio de detalhes, um almofadão, no qual fica pregado um cartão furado do desenho da renda que se pretende fazer, um conjunto de alfinetes do espinho do mandacaru que serve para prender a renda, os bilros de madeira e mais três caroços de uma árvore chamada macaúba onde são enrolados os fios. Para quem vê, parece super complicado, mas elas garantem que a técnica é super simples e fácil de se fazer.
Uma questão que às vezes confundem muitos turistas na hora da compra é a diferença entre a renda e o bordado. O bordado tem um fundo de tecido preparado para receber as linhas que são inseridas por meio de agulhas. Já a renda, é feita só com o entrelaçar das linhas, sem tecido algum.
O tipo de renda mais valorizado e que tem o resultado visual mais bonito é o chamado labirinto, sua produção consiste em desfiar um pano e recompô-lo em outros desenhos. Essa técnica lembra mesmo um verdadeiro labirinto pelo emaranhado de pontos que o constituem. Os desenhos mais tradicionais e conhecidos são os de “paleitão”, “caseiro”, “enchimento”, “bainha” e o “desfio”, trabalhos muito delicados, que exigem uma enorme concentração e esforço visual artístico para que nenhum entrelaçar de linhas saia fora do lugar. Este tipo de renda artesanal, feita por mulheres de jangadeiros é principalmente encontrada nos municípios de Aracati, Beberibe e Cascavel.
As redes de dormir feitas pelos cearenses também são muito apreciadas e hoje podem ser compradas em várias cidades do país. De origem genuinamente indígena, eram feitas de fibra de tucum, mas os colonos incorporaram o hábito de produzi-la em algodão. Apesar de atualmente existirem inúmeras fábricas espalhadas pelo Ceará, ainda há artesãos que a fazem manualmente, com os teares primitivos.
Como o Ceará é um estado que tem o artesanato inserido em sua cultura, ainda é possível encontrar cestarias e trançados feitos com a palha da carnaúba, do bambu e do cipó, elementos facilmente encontrados nos municípios de Sobral, Russas, Limoeiro do Norte, Jaguaruana, Aracati, Massapé e Camocim. Toda a produção de chapéus, bolsas, cestas e leques vêm dessas pequenas cidades que muitas vezes tem no artesanato seu principal meio de subsistência.
Para quem quiser encontrar todos esses souvenires em um único lugar, a dica é ir até Fortaleza e fazer uma visita à Central de Artesanato do Ceará, também chamada de CEARTE. Esse centro de vendas fica na Avenida Santos Dumont, 1589-A, no bairro de Aldeia.

OUTROS ARTESANATOS DO BRASIL
O conceito de artesanato dado pelo Conselho Mundial do Artesanato diz que “artesanato é toda atividade produtiva que resulte em objetos e artefatos acabados, feitos manualmente ou com a utilização de meios tradicionais, com habilidade, destreza, qualidade e criatividade”. E como criatividade e habilidade é o que menos falta no nosso povo, conheça agora algumas outras opções de produtos que você pode comprar quando estiver viajando:
PEÇAS DE ESTANHO
Em São João Del Rei/MG é possível comprar jogos de chá e café, taças em tamanhos variados, pratos, vasos e castiçais feitos de estanho. O interessante é que a fábrica está aberta para a visita dos turistas que também podem acompanhar a produção antes de decidir o que vai querer levar para casa.
Fábrica John Somers
Avenida Leite de Castro, 1150, Centro
(32) 3371-8000
PEDRAS BRASILEIRAS
Em Ouro Preto/MG existem muitas opções de lojas que vendem pedras decorativas feitas com minérios variados. Os enfeites variam de porta copos, cinzeiros e anéis até a esculturas de pássaros e animais silvestres. Além disso, ouro e jóias também podem ser comprados a preços mais em conta na cidade.
Ateliê de Bié
Praça Amadeus Barbosa, 129, Centro
(31) 3551-2565
CERÂMICAS ÚTEIS
Em Florianópolis/SC são produzidos utilitários como panelas, potes, moringas, jarras e alguidares em cerâmicas. A produção é totalmente manual e a qualidade e resistência das peças é impressionante.
Casa da Alfândega
Avenida Paulo Fontes, ao lado do Mercado Público, Centro
Casa Açoriana
Rua Cônego Serpa, 30, Santo Antônio de Lisboa
(48) 3235-1238
CARRANCAS
As figuras medonhas esculpidas em madeiras com caras bravas e dentes à mostra, eram feitas inicialmente para espantar maus espíritos dos barcos. Hoje se tornaram peças de decoração e podem ser encontradas na cidade de Petrolina, em Pernambuco.
Centro Cultural Ana das Carrancas
BR-407, 500 – Perímetro rodoviário
(87)3863-6061
ARTE SACRA
Vários artistas de Teresina produzem artesanalmente oratórios e personagens bíblicos em madeira. A inspiração é barroca e a perfeição e qualidade das peças é admirável.
Central de Artesanato
Praça Dom Pedro II, Centro
(86) 3221-3368
Fique Ligado:
* Se você for fazer uma viagem com a intenção de comprar muitos artigos, nunca se esqueça de não levar muitas malas, senão você poderá ter problemas de excesso de volumes no retorno pra casa.
* Não deixe de visitar as fábricas ou os galpões onde são produzidos os artesanatos. Assim como comprar, assistir o ritual de produção também é um programa muito interessante.
* Em algumas feiras de artesanato especializadas em produtos regionais, os vendedores gostam do ato de negociar. Então, tente sempre pedir um descontinho, o máximo que poderá acontecer é você conseguir e economizar.
Fuente: www.brasilviagem.com
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